Terça-feira, 17 de setembro de 2013
O FUTURO DA LOGÍSTICA NO BRASIL

No último mês de agosto, discursando em Ribeirão Preto, a presidente Dilma Rousseff disse que o Brasil não tem um sistema de logística compatível com a sua produção de mercadorias. Uma das dez maiores economias do mundo ainda enfrenta longas filas de caminhões em portos como Santos (SP) e Tubarão (SC), não utiliza o potencial de contar com algumas das maiores bacias hidrográficas do planeta e mal aproveita o meio ferroviário de transporte de pessoas e cargas. Provas irrefutáveis desse grande problema.

Esse irritante e persistente gargalo logístico brasileiro é um dos grandes responsáveis pelo “custo Brasil”, que encarece os preços dos produtos, tanto para o mercado interno quanto para o externo, prejudicando a economia nacional. A má qualidade das estradas, a pouca oferta de ferrovias e hidrovias e o acanhamento dos portos só trazem problemas para o país. Além disso, por essa questão ter sido deixada de lado por tanto tempo, o país vive um apagão de talentos no setor. Apesar do aumento da oferta de cursos, poucos profissionais qualificados chegam ao mercado de trabalho, situação que pode ficar ainda mais preocupante.

Ainda assim, nem tudo são más noticias. O governo entendeu que investimentos no setor são fundamentais (o discurso da presidente é prova disso) e em 2012 lançou o Programa de Investimentos em Logística, com aplicação de R$ 133 bilhões em nove trechos de rodovias e em 12 de ferrovias e dando fortes incentivos ao repasse de meios de transporte para a iniciativa privada. Com todo esse cenário, a avaliação geral para o futuro do setor é que, se o planejamento do governo for cumprido, os obstáculos de desenvolvimento na área finalmente poderão ser deixados para trás.

Outro fator importantíssimo para a execução adequada desses projetos será a regulação por parte das agências governamentais. Existem muitos grupos nacionais e estrangeiros interessados em investir na infraestrutura logística do Brasil, mas para isso eles necessitam de regras claras sobre como as parcerias/concessões funcionarão. De quem é a responsabilidade por cada etapa do projeto, que garantias e obrigações cada parte tem, são algumas das questões que devem ser esclarecidas.

O transporte público também entra nessa conta. A superlotação e o alto custo das passagens dos sistemas de transporte coletivo, nas principais cidades brasileiras, também trazem enorme perda de recursos, além de terem sido alvo das principais reivindicações das manifestações de maio e junho de 2013. Além disso, vez após vez o leilão para a construção do trem bala ligando Campinas - São Paulo - Rio de Janeiro é cancelado pela falta de empresas interessadas no consórcio.

Os desafios em logística são enormes e urgentes, mas as soluções e os recursos existem. Governo e iniciativa privada precisam estar juntos na viabilização dos projetos necessários. Com novos investimentos, profissionais qualificados e modernização de processos e sistemas, o setor poderá finalmente ambicionar um futuro melhor.

José Carlos Augusto da Silva Junior — Diretor de Serviços da Mega Sistemas Corporativos

www.mega.com.br


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