Quarta-feira, 19 de novembro de 2014
MUITO ALÉM DO BRILHO EXTERNO DO OURO

Entre os desafios da liderança, identificar e impulsionar talentos pode ser tão valioso quanto a missão de Frankie, treinador de Maggie Fitzgerald no filme Menina de Ouro. Confira o artigo de Pedro Oliveira, Gerente de Produtos da Mega Sistemas Corporativos.

A frase até pode parecer clichê, mas a vida realmente reserva surpresas. E ela se encaixa perfeitamente ao filme “Menina de Ouro”, lançado em 2008, e que conta com a assinatura de Clint Eastwood. Nele, o próprio Clint dá vida a um homem amargo, assim transformado devido ao afastamento da filha e a algumas decepções profissionais ao longo de sua vida. Antes acostumado a viver grandes emoções nos ringues, foi abandonado pelo seu melhor atleta e passou a trabalhar como empresário de lutadores de boxe sem muito talento.

Como seu contraponto, está a garçonete Maggie Fitzgerald. A personagem, interpretada pela atriz Hilary Swank, deseja se tornar uma lutadora de sucesso, apesar de contar com alguns fatores que poderiam pesar contra: é pobre e tem mais de 30 anos de idade. Nem por isso, deixa de acreditar em seu sonho e faz de tudo para convencer Frankie a ser seu treinador. Reticente em aceitar, ele vai cedendo aos poucos até ser convencido por seu amigo Scrap, papel de Morgan Freeman, que acredita no potencial da aspirante a boxeadora. Está aberto o caminho para ela, finalmente, treinar sob sua orientação. No entanto, o que eles não imaginavam é que isto transformaria suas vidas em todos os sentidos.

Aclamado pelo público e pela crítica, ao assistir a “Menina de Ouro” podemos ir além da ficção e fazer um paralelo com fatos que acontecem no dia a dia das empresas. Vamos começar pela figura de Maggie. Decidida e sem cogitar desistir diante das várias negativas do futuro treinador, ela nos apresenta uma lição valiosa sobre como a persistência e a determinação são essenciais para alcançarmos os nossos objetivos e, consequentemente, o sucesso.

Esta mesma transferência para o contexto corporativo pode ser feita em relação a Frankie. Podemos dizer que ele se encaixa na figura do líder que reluta em apostar em um talento. Na verdade, ele tinha plena convicção do talento de Maggie, mas, a princípio, não estava disposto a orientá-la para lapidá-lo. Mas, por que a resistência?

Todos os dias, nós, líderes, nos deparamos constantemente com situações como estas. Os talentos nos são apresentados a todo o momento e, muitas vezes, não são identificados simplesmente por uma falta de atenção a pequenas ações ou ideias por eles apresentadas. Muitos deles também são ignorados simplesmente por serem identificados como possíveis ameaças à própria carreira do líder. E ter este tipo de pensamento é pensar pequeno. Um gestor comprometido luta pelo crescimento de sua equipe. Ele deve atrair para si pessoas que são capazes de impulsioná-lo a alcançar os seus resultados com sucesso.

No fundo, Frankie sabia que valia a pena apostar e que isso poderia levá-lo novamente aos momentos de sucesso e glória em sua carreira. O que, geralmente, pode nos atrapalhar, como líderes, é não ter a sorte de encontrar alguém persistente como Maggie na busca pelo seu sonho. Verdadeiros talentos querem ir além.

Em um momento delicado do longa-metragem, o treinador precisa fazer uma difícil escolha que confronta a razão e emoção. Trazendo novamente para a realidade empresarial, os líderes, em diversas situações, necessitam optar por soluções que, assim como a de Frankie no filme, serão confrontadas e contestadas.

“Menina de Ouro” é um filme muito bem realizado, bonito e sincero. Como diretor, Clint Eastwood o conduz com dignidade, foge do sensacionalismo e não dá margem para exageros. Falar mais do que isso pode estragar, para quem ainda não o assistiu, a verdadeira mensagem e a surpresa que o filme reserva para o espectador.

Pedro Rodrigues Oliveiraé Gerente de Produtos da Mega Sistemas Corporativos S.A., empresa que oferece soluções tecnológicas diferenciadas de gestão empresarial para companhias que atuam nos segmentos de Construção, Logística, Manufatura, Combustíveis, Agronegócios e Serviços.


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