O impacto do BIM na construção civil

O impacto do BIM na construção civil

Os projetos de construção civil são muito mais complexos que qualquer outro modelo e exigem um maior controle e coleta de informações a fim de garantir o sucesso da empreitada.

São diversos desafios, como controle de materiais, estoque, cumprimento de prazos, análise de viabilidade, entre outras questões que demandam uma atenção redobrada. Para minimizar as dificuldades de realizar construções que atendessem a todos os objetivos dos projetos de maneira eficiente, surgiu o BIM.

Produzimos este post para mostrar para você o impacto que o BIM trouxe para a indústria da construção civil e os benefícios desse modelo de construção. Confira!

Definição de BIM

O primeiro ponto para entender o BIM, sigla para Building Information Modeling, é saber que ele não se trata de um software específico. Ele pode ser posto em prática por meio de um sistema, porém, o seu conceito vai além disso.

O termo está ligado diretamente à virtualização, modelagem e gestão de todos os processos envolvidos nas atividades de projeto e construção de obras de engenharia, independentemente do tamanho ou metas.

O objetivo principal do BIM é transformar o modelo do projeto em uma representação — da forma mais real possível — da construção que está sendo realizada, visualizando todas as inconformidades apresentadas no canteiro de obra.

Isso permite a verificação de falhas no projeto, atrasos, erros, desperdícios, entre outros pontos. Tudo que acontece no mundo real pode ser simulado antes no modelo virtual.

Histórico do BIM

Em 1974, Charles M. Eastman — professor do Instituto de Tecnologia da Georgia, nos Estados Unidos — criou o BDS, sigla para Building Description System. Ele foi o modelo precursor do BIM e desenvolvido com o mesmo intuito.

Para Eastman, era preciso levar os desenhos criados durante o projeto para um tipo de simulador virtual, no qual todos os dados da obra pudessem ser inseridos e os resultados esperados, visualizados.

Em 1992, G.A. van Nederveen e F.P. Tolman publicaram um artigo e cunharam o termo BIM, um modelo ainda mais completo de informações a respeito de projetos de construção civil se comparado ao BDS de Eastman.

O artigo da dupla falava sobre uma modelagem que levasse em conta várias camadas da construção e múltiplas visões acerca da obra, garantindo o total controle sobre todas as variáveis envolvidas.

O objetivo proposto era integrar todas as informações do projeto em um único modelo, permitindo verificar se funcionariam em conjunto, minimizando impactos negativos decorrentes de modelagens realizadas separadamente.

Nesse momento, o gerenciamento de projetos de construção civil por meio de papel era abandonado, dando lugar aos modelos tridimensionais, que permitem uma melhor visualização de todo o processo.

Benefícios do BIM

Existem várias vantagens do uso do BIM em relação aos métodos antigos de controle em papel e até mesmo às modelagens básicas em CAD (Computer Aided Design), que permitem apenas a visualização do modelo. Confira, a seguir, algumas delas.

Estimativa correta de custos

Com a utilização do BIM, a construtora pode reduzir seus custos em até 10%. A depender do tamanho da obra, essa pode ser uma grande economia. Isso é possível graças à visualização de todo o material necessário para a conclusão dos trabalhos.

Dessa forma, a compra total de todos os materiais pode ser negociada com o fornecedor de uma só vez, aumentando o poder de barganha da construtora e as chances de economizar ainda mais.

Mais qualidade

Ao investir em um sistema que possibilite o uso do BIM, a empresa pode criar modelos tridimensionais de suas obras, visualizando todo o empreendimento pronto e possibilitando alterações visuais no projeto.

Outro ponto é a garantia das funcionalidades de toda a obra. Ao construir modelos 3D dotados de todas as informações do mundo real é possível identificar qualquer falha ou inconformidade antes de construir, garantindo a qualidade.

Aumento da eficiência

Os modelos BIM permitem a simulação de toda a obra com a inserção de prazos para cada uma das atividades, possibilitando verificar se a construção poderá ser entregue no período desejado ou não.

Com a inserção de dados acerca de clima, tempo para preparação do terreno, necessidades de cada uma das etapas construtivas, por exemplo, é possível acompanhar a eficiência da obra e tomar as devidas providências caso algo esteja diferente do que foi planejado.

Aplicação do BIM

A aplicação passa por alguns pontos básicos. O modelo de virtualização da obra é criado por meio de ciclos de inserção de informações até ficar pronto para a realização das simulações. Saiba mais sobre os ciclos nos próximos tópicos.

3D

Esse é o primeiro passo e consiste na modelagem de todos os desenhos da construção em um sistema de terceira dimensão. Essa atividade deve ser colaborativa, realizada por todos os profissionais responsáveis por cada parte da obra.

Entre os pontos a serem modelados podemos citar a própria construção, os setores elétrico, mecânico, hidráulico, entre outros. Esse primeiro processo já possibilita visualizar inconsistências entre cada um dos projetos para a obra.

4D

Nesse passo, todos os elementos gráficos são divididos no cronograma da obra, facilitando a visualização do avanço da construção em uma linha do tempo do projeto. Isso possibilita verificar conflitos de construção, como a necessidade de começar uma atividade que depende de outra ainda não encerrada.

5D

Essa etapa é relativa aos dados de custo de todo o projeto e permite analisar os gastos necessários para a conclusão da obra. O orçamento poderá ser atualizado automaticamente sempre que novas informações forem adicionadas.

6D

Nesse ciclo são realizadas todas as análises referentes ao consumo e eficiência energética da construção, além de sua pegada de carbono. O objetivo é maximizar o desempenho do projeto pronto para alcançar a sustentabilidade.

7D

Esse é o último passo de modelagem e visa realizar a gestão do ciclo de vida do projeto. O foco é garantir o controle de todos os dados referentes ao modelo, como manutenção, fornecedores, custos, entre outros.

O BIM é o futuro da engenharia e sua aplicação é incentivada pela Estratégia Nacional de Disseminação do Building Information Modeling no Brasil. Para o Governo, investir em BIM colabora para uma inovação tecnológica capaz de impulsionar a construção civil, mantendo o mercado aquecido e gerando novas oportunidades de emprego e negócios no país.

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