Muito além do brilho externo do ouro

Muito além do brilho externo do ouro

A frase até pode parecer clichê, mas a vida realmente reserva surpresas. E ela se encaixa perfeitamente ao filme “Menina de Ouro”, lançado em 2008, e que conta com a assinatura de Clint Eastwood. Nele, o próprio Clint dá vida a um homem amargo, assim transformado devido ao afastamento da filha e a algumas decepções profissionais ao longo de sua vida. Antes acostumado a viver grandes emoções nos ringues, foi abandonado pelo seu melhor atleta e passou a trabalhar como empresário de lutadores de boxe sem muito talento.

Como seu contraponto, está a garçonete Maggie Fitzgerald. A personagem, interpretada pela atriz Hilary Swank, deseja se tornar uma lutadora de sucesso, apesar de contar com alguns fatores que poderiam pesar contra: é pobre e tem mais de 30 anos de idade. Nem por isso, deixa de acreditar em seu sonho e faz de tudo para convencer Frankie a ser seu treinador. Reticente em aceitar, ele vai cedendo aos poucos até ser convencido por seu amigo Scrap, papel de Morgan Freeman, que acredita no potencial da aspirante a boxeadora. Está aberto o caminho para ela, finalmente, treinar sob sua orientação. No entanto, o que eles não imaginavam é que isto transformaria suas vidas em todos os sentidos.

Aclamado pelo público e pela crítica, ao assistir a “Menina de Ouro” podemos ir além da ficção e fazer um paralelo com fatos que acontecem no dia a dia das empresas. Vamos começar pela figura de Maggie. Decidida e sem cogitar desistir diante das várias negativas do futuro treinador, ela nos apresenta uma lição valiosa sobre como a persistência e a determinação são essenciais para alcançarmos os nossos objetivos e, consequentemente, o sucesso.

Esta mesma transferência para o contexto corporativo pode ser feita em relação a Frankie. Podemos dizer que ele se encaixa na figura do líder que reluta em apostar em um talento. Na verdade, ele tinha plena convicção do talento de Maggie, mas, a princípio, não estava disposto a orientá-la para lapidá-lo. Mas, por que a resistência?

Todos os dias, nós, líderes, nos deparamos constantemente com situações como estas. Os talentos nos são apresentados a todo o momento e, muitas vezes, não são identificados simplesmente por uma falta de atenção a pequenas ações ou ideias por eles apresentadas. Muitos deles também são ignorados simplesmente por serem identificados como possíveis ameaças à própria carreira do líder. E ter este tipo de pensamento é pensar pequeno. Um gestor comprometido luta pelo crescimento de sua equipe. Ele deve atrair para si pessoas que são capazes de impulsioná-lo a alcançar os seus resultados com sucesso.

No fundo, Frankie sabia que valia a pena apostar e que isso poderia levá-lo novamente aos momentos de sucesso e glória em sua carreira. O que, geralmente, pode nos atrapalhar, como líderes, é não ter a sorte de encontrar alguém persistente como Maggie na busca pelo seu sonho. Verdadeiros talentos querem ir além.

Em um momento delicado do longa-metragem, o treinador precisa fazer uma difícil escolha que confronta a razão e emoção. Trazendo novamente para a realidade empresarial, os líderes, em diversas situações, necessitam optar por soluções que, assim como a de Frankie no filme, serão confrontadas e contestadas.

“Menina de Ouro” é um filme muito bem realizado, bonito e sincero. Como diretor, Clint Eastwood o conduz com dignidade, foge do sensacionalismo e não dá margem para exageros. Falar mais do que isso pode estragar, para quem ainda não o assistiu, a verdadeira mensagem e a surpresa que o filme reserva para o espectador.